Se você vende peças impressas em 3D, existe uma pergunta que define se você está construindo um negócio ou apenas ocupando sua impressora:
Você sabe exatamente quanto lucra por peça?
Muitos makers calculam apenas o custo do filamento e aplicam um multiplicador. O problema é que a impressão 3D envolve vários custos invisíveis — e ignorá-los pode corroer sua margem sem que você perceba.
Neste artigo, vamos detalhar todos os fatores que deveriam entrar na sua precificação.
1. Custo de material (o básico)
Aqui entram:
- Filamento (PLA, PETG, ABS etc.)
- Material de suporte
- Taxa de desperdício (falhas e testes)
Exemplo:
Se 1kg de PLA custa R$ 80:
- 1g = R$ 0,08
- Peça com 150g = R$ 12,00
Esse é apenas o ponto de partida.
2. Energia elétrica
Uma impressora pode consumir entre 100W e 300W durante a impressão.
Exemplo:
- Impressão de 10 horas
- Consumo médio: 200W (0,2 kWh)
- Total: 2 kWh
Multiplique pelo valor do kWh da sua cidade.
Parece pouco por peça, mas em escala isso impacta.
3. Tempo de máquina e depreciação
Sua impressora é um ativo.
Se ela custou R$ 2.500 e você estima uma vida útil produtiva de 5.000 horas, cada hora de impressão consome parte desse investimento.
Isso precisa entrar no custo por hora da sua máquina.
Além disso, considere:
- Troca de bico
- Mesa magnética
- Rolamentos
- Correias
- Manutenção geral
4. Itens adicionais de montagem
Esse é um ponto frequentemente ignorado.
Se sua peça inclui:
- RFID
- Parafusos
- Argolas de chaveiro
- Imãs
- Fitas dupla-face
- Embalagens personalizadas
Tudo isso deve ser incluído como custo unitário.
Se um RFID custa R$ 3,00 e a argola R$ 0,50, isso já adiciona R$ 3,50 por peça antes mesmo do lucro.
5. Taxa de cartão
Se você vende via:
- Máquina de cartão
- Link de pagamento
- Gateway online
As taxas costumam variar entre 3% e 6%.
Exemplo:
Venda de R$ 100 Taxa de 5% → R$ 5 vão para a operadora.
Se você não embutir isso no preço, sua margem real é menor do que parece.
6. Taxas de marketplace
Se você vende em marketplaces, as taxas podem chegar a:
- 10%
- 15%
- 20% ou mais
Produto vendido por R$ 120 com taxa de 16%: → R$ 19,20 ficam na plataforma.
Isso muda completamente sua precificação.
Preço para Instagram ≠ preço para marketplace.
7. Impostos (especialmente ao sair do MEI)
Enquanto você é MEI, a tributação é simplificada.
Mas ao migrar para:
- ME
- Simples Nacional em outra faixa
Você pode ter alíquotas que variam de 6% a mais de 15% dependendo do faturamento e da atividade.
Se você não incluir imposto no cálculo, pode descobrir no fim do mês que trabalhou para pagar tributo.
8. Margem de lucro estratégica
Depois de considerar:
- Material
- Energia
- Depreciação
- Manutenção
- Itens adicionais
- Taxa de cartão
- Marketplace
- Impostos
Só então você aplica sua margem.
Margem não é o que sobra. Margem é planejada.
Fórmula simplificada de precificação
Uma forma estruturada de pensar é:
Custo Total = Material + Energia + Depreciação + Itens extras + Taxas + Impostos
Preço Final = Custo Total ÷ (1 - Margem desejada)
Isso evita o erro clássico de apenas “somar 30%”.
Organização faz diferença
Você pode montar isso em planilha.
Ou utilizar ferramentas que ajudam a estruturar o cálculo e evitar esquecimentos, como a calculadora da Printora:
https://useprintora.com.br/calculadora
A ideia não é substituir sua estratégia, mas facilitar a visualização dos custos reais e testar diferentes cenários de margem.
Conclusão
Na impressão 3D, o custo invisível é o que mais destrói lucro.
Quem calcula apenas filamento está precificando errado.
Quem considera todos os fatores está construindo um negócio sustentável.
A diferença entre hobby e empresa não está na impressora. Está na forma como você faz a conta.